A idéia surgiu de um grupo de jovens paulistanos que há anos freqüentam o litoral norte do Estado de São Paulo, e que presenciaram a rápida transformação local. Quase deserta há 15 anos, hoje praias como Camburi, Maresias, Baleia, Sahy, Juquehy e Paúba são "points" praticamente obrigatórios no verão. A desenfreada construção de casas, condomínios e pontos comerciais fizeram (e continuam fazendo) parte do dia-a-dia de vários moradores e veranistas dessas praias. Preocupados com a questão social e ambiental da região, além do desenvolvimento sustentável, surgiu a organização não-governamental (ONG) A.L.Norte (Ambiental Litoral Norte).
Daniel Pascalicchio, 24 anos, diretor financeiro da A.L.Norte (Ambiental Litoral Norte) e freqüentador da Praia Paúba desde pequeno, fala um pouco mais sobre essa instituição:
Por que surgiu a idéia da criação de uma organização não governamnetal? A idéia da A.L.Norte surgiu em uma série de conversas e indignações a respeito do desenvolvimento desordenado de São Sebastião. Inicialmente eram conversas no "outside", mas muitas apareciam, sem nada prático acontecendo. Como também faço parte da Diretoria da SAPA - Sociedade Amigos de Paúba -, começamos a organizar um grupo, que inicialmente estaria fazendo uma série de estudos sobre o litoral, que compreendiam a economia local, a questão social e o lado ambiental. Isto porque não podemos falar de preservação ou de ecologia, quando toda a estrutura social do município está desestruturada, não dá para exigir de alguém que não corte a mata se esta é a única possibilidade de receita da população. Consequentemente foram sendo agregados amigos, pessoal da faculdade e outros interessados em fazer algo por nosso litoral que sofre de falta de planejamento.
Qual a importância de se preservar o litoral norte de São Paulo? Na verdade, se pensarmos bem, todos os lugares têm urgência em preservação. Nós humanos adoramos usar e destruir a natureza como se ela fosse um bem infinito, regenerativo a todas as nossas interferências, mas essa não é a verdade e cada vez mais a população toma consciência disso. Nós adoramos o litoral norte e não conseguíamos mais ficar inertes olhando este desrespeito com o meio ambiente e com as pessoas que vivem e freqüentam o lugar. Basta cada uma fazer um pouco e teremos muito, não só para o litoral norte, para todo o planeta.
No dia 26 de janeiro aconteceu o evento "Dia do Questionamento e da Conscientização", organizado pela A. L. Norte nas praias de Cambury, Baleia e Sahy. Qual a importância desse tipo de ação? Este evento foi uma iniciativa que tivemos para despertar nas pessoas alguns temas para refletirem e pensarem sobre as posturas delas com as questões sociais e ambientais. Ao mesmo tempo, buscamos dados, através de perguntas, para estruturarmos os primeiros debates para a Coligação Bela Sebastião. Desta, temos uma série de dados sobre a idéia das pessoas sobre o litoral norte para montarmos grupos de estudos e futuros debates.
Você acredita realmente na conscientização ambiental da população e no desenvolvimento sustentável? Acredito. Não em um horizonte de curto prazo, mas acredito que as próximas gerações. Não é possível mudar todos os paradigmas em 5 ou 10 anos, mas precisamos chamar a atenção para estes fatos. Historicamente as mudanças de mentalidade demoram muito a acontecer, é um processo que envolve algumas gerações. A questão ambiental mesmo só foi preocupar o mundo na década de 70, ou seja, há 30 anos. Cada vez mais estamos nos afastando da natureza e as pessoas estão começando a perceber que isto não é bom. Por mais que você possa comprar tudo, respirar ar puro e ver uma bela mata, ainda, não têm preço.